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domingo, 22 de setembro de 2013

Deguste um trecho!

"Pouco antes de amanhecer, Michael e Michele retornaram à hospedaria onde haviam passado parte da noite anterior. Ele deixou o carro num pátio de terra diante da velha estalagem, debaixo de uma árvore, e dirigiu-se ao mesmo quarto da véspera, acompanhado pela namorada. No saguão, encontraram a hospedeira, uma senhora bojuda e atenciosa, com voz de barítono e rosto que lembrava as feições de um dos Três Patetas. A boa mulher trazia um lenço colorido na cabeça e, com um balde de água, esfregão e detergente, aproveitava aquelas horas vazias que antecediam a alvorada para lavar os corredores do seu estabelecimento. Ao ver o rapaz naquele estado, coberto por terra e com a roupa toda encardida, indagou num inglês sofrível:
- Mas o que acontecer... cair num brejo?
- Estava no cemitério, desenterrando os mortos. Gracejou Michael.
A velha senhora persignou-se diversas vezes, mastigando algumas palavras de esconjuro, as quais ninguém compreendeu. Eles subiram as escadas escuras rindo da brincadeira e entraram no quarto, que cheirava a cobertor guardado por longo tempo. Embora não fosse grande, possuía a vantagem de ter banheiro próprio e era limpo. O moço atirou sua mala sobre a cama e foi abrir a janela para arejar o ambiente. Aos poucos, a manhã ia despertando, preguiçosa, tingindo as casas e os campos com os matizes da aurora. Depois, Michael lavou o rosto na pia e abriu o chuveiro, deixando a água escorrendo até encher uma enorme banheira de louça branca. Ele despiu-se, jogou a roupa suja num canto e mergulhou naquelas águas quentes e reconfortantes. Enquanto relaxava de olhos fechados, ouviu o celular tocando insistentemente no bolso de seu sobretudo, o qual ele pendurara num gancho atrás da porta. O banho estava tão agradável, que o rapaz recusou-se a sair dali naquele momento e resolveu não atender. Michele abriu a porta, aproximou-se do namorado e perguntou:
- Quem era?
- Não sei... Certamente não era para nós, pois este celular nem é nosso.
- Talvez fossem aqueles bandidos...
Ao ouvir tais palavras, Michael arrepiou-se. Teriam conseguido ler o texto em latim do diário de Jacques de Molay? E se tivessem lido, de que lhes serviria? O livro não revelava o local para onde os cavaleiros haviam levado o fabuloso tesouro do Templo. Uma coisa era certa. Quando Macrino e seu comparsa descobrissem isso, viriam outra vez atormentar o rapaz. Ele apanhou o sabonete e, esfregando-o suavemente sobre seu corpo, disse:

- Não me fale nesses assassinos..."

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